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A última noite em Lisboa.
Estava terminando o meu banho quando ouço um som forte e bonito, vindo lá de baixo da rua e entrando pela janela do meu banheiro. Era uma música cheia, primitiva e diferente de todo instrumento que eu tinha ouvido. Era muito bonito. Vou, ainda enrolado na toalha – lembro o frio era de 8 graus - para vê o que era. Lá embaixo eu vejo um cara tocando uma espécie de Xilofone primitivo, feito de madeira e cabaças. O músico, era um cara jovem e branco com cabelos cheios de dreadlocks, tipo rastafari.
Acordo Elba do descanso e digo-lhe que vou assistir o show do músico na rua, em frente ao hotel.
Como havíamos decididos a ficar apenas em nossa rua, pois viajaríamos amanhã, eu já estaria esperando a turma lá fora.
O músico é um rapaz chamado Dratso, é de Zurique e tocava bateria em uma banda de rock quando se apaixonou pelo instrumento, que é originário da África. Foi morar com uma família de Burkina Faso, um dos países mais pobres do mundo, que fica próximo ao Congo. As casas de lá têm uma arquitetura primitiva e são feitas de barro e estacas. Parecem casas de cupins. Pois bem, o Dratso viveu cerca de um ano com uma família só para aprender a tocar o instrumento.
No filme que gravei, vocês me ouvem conversando com um angolano que disse que em Angola tem muitos músicos que tocam o vibrafone, mas nunca tinha visto um músico com tanto talento como o do Dratso.
O filme de Dratso com seu vibrafone aqui >>>
Conversei bastante com ele, que era uma figura muito simpática e fazia da vida uma permanente perambulação pelo mundo.
Ficamos passeando pela rua , lá mais adiante o grupo da ginginha já começava a se formar. A ginguinha é boa, quente e barata, daí desocupados, estudantes e músicos serem seus principais usuários. Como tem muito turistas jovens, se cria aquele clima de paquera no ar.
Ao canto, encostado em uma parede, tocava sua clarineta um músico francês.
Elba começou a chiar com o frio e pediu para voltar para o hotel. No meio do caminho decidimos entrar em uma pizzaria. Foi uma surpresa. A pizzaria era enorme e muito boa. Fomos atendidos por um rapaz e uma moça, ambos brasileiros. Ele é de São Paulo e ela do interior de Curitiba.
Matamos nossa curiosidade sobre como é a vida deles aqui. O esquema, pelo menos dos dois, é muito interessante. São ilegais mas a pizzaria paga alojamento e dá comida fora o salário que fica na faixa de 700 euros, mais as gorjetas. A garota enviava quase tudo para a família no Brasil.
Ouço o som de Dratso lá fora, que a essa altura já estava perto da turma da ginginha. Deixo o grupo na pizzaria e vou até onde estão os músicos. Tudo muito animado, parecia um encontro de colegas. Tinha um japonês que tocava Tom Jobim no violão clássico, um angolano negro e desdentado que tocava seu tambor e outros. E eu no meio entrosado que só.
Fotos da noite, aqui >>>.
De repente uma pequena confusão. Um cara já cheio das ginjinhas cismou de mijar na rua. Deu azar e dois policiais o pegaram no flagra meeeesmo! O angolano, que quando sóbrio havia conversado comigo estava agora em uma situação deplorável: bêbado, a voz engrolando, cambaleante e ainda por cima com o pênis na mão. Quando ele se virou, esqueceu de parar de mijar.
Aí eu só ouvia o guarda puto gritando com aquela voz autoritária Termine aí mesmo!! Termine!!!
Demos boas gargalhadas ao longo da viagem relembrando desta cena.
Pronto aqui foi Lisboa. No outro dia partimos para Barcelona onde lá iríamos encontrar Guilherme, nosso filho que mora em Milwalkee, EUA e fazia quase dois anos que não nos víamos. Ele estava acompanhado de Gina e Brian, grandes amigos.
Guilherme iria passar um oito dias com a gente, nos deixando em Paris.
Aguardem o blog de Barcelona.
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